«Creio em Deus Pae Todo Poderoso, Creador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo seu Unico Filho, Nosso Senhor; O qual foi concebido por obra do Espirito Santo; Nasceu de Maria Virgem; Padeceu sob o poder de Poncio Pilatos; Foi crucificado, morto e sepultado; Desceu aos infernos; Ao terceiro dia ressuscitou dos mortos; Subiu ao céu; Está sentado á mão direita de Deus Pae Todo Poderoso; Donde ha de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espirito Santo; Na Santa Egreja Catolica; Na comunhão dos santos; Na ressureição da carne; Na vida eterna. Amen.»
Um murmurio de vozes de aprovação e surpreza rompeu de todos os labios. As vozes que mais se distinguiram foram:
—Esse Credo é egual ao nosso!
—Crêem em Deus!
—E na Virgem!!!
—E em que Cristo foi concebido pelo Espirito Santo!!!
—Sim, meus amigos—continuou Julião,—nós, isto é, os cristãos do Evangelho, cremos em tudo o que está escrito na palavra de Deus. Quanto dizem de nós é uma completa calunia. Jámais duvidámos da virtude de Maria, mãe, não de Deus, porque Deus não teve pae nem mãe, porém sim mãe de Jesus, emquanto homem como nós. Nós não confiamos em ninguem senão em Cristo, porque sabemos que em nenhum outro ha salvação; porque do céu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual os homens devem ser salvos (Atos 4:12). Não confiamos nas obras que possamos fazer, pois que, por melhores que elas sejam, não são mais do que «trapos de imundicie». Não nos submetemos ao jugo de Roma, porque na palavra de Deus não se ordena que o cristão esteja sujeito a tal ou qual egreja, mas sim a Cristo, e porque esta egreja tiranisa as consciencias, obrigando a crer em dogmas taes como a infalibilidade, que nos faz ver a figura do papa retratado na segunda Epistola de S. Paulo aos Tessalonicenses, cap. 2.º, ver, 3 e 4, onde se diz, falando da segunda vinda do Senhor: «Ninguem de modo algum vos engane; porque não será sem que antes venha a apostasia, e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição, aquele que se opõe, e se eleva sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo de Deus, ostentando-se como se fosse Deus». Nós, os protestantes, não fazemos caso dos dias de jejum, porque S. Paulo diz: «Ninguem vos julgue pelo comer nem pelo beber» (Col. 2: 16). Tambem sabemos, para que nos acautelemos deles, que «alguns prohibirão casar-se, e mandarão abster-se das coisas que Deus creou para que com acção de graças participassem delas os fieis e os que teem conhecido a verdade» (1.ª a Tim. 4: 3). Não fazemos caso algum dos mandamentos romanos, no que diz respeito a dar dinheiro ou velas, ou coisas similhantes para o culto, pois que na Palavra de Deus achamos escrito: «Ninguem vos desencaminhe, afectando parecer humilde, e dar culto aos anjos, que nunca viu no estado de viador, inchado vãmente no sentido da sua carne» (Col. 2: 18).
Algumas vozes de aprovação sairam dentre os ouvintes.