—Brindo—exclamou o sr. João—por Santo Antonio, que é o santo de minha filha, pela liberdade, e para que fiquem confundidos os inimigos da ordem.

Ao brinde do dono da casa corresponderam os convidados, bebendo cada qual o seu copo. A este brinde sucederam-se outros.

Um dos assistentes, joven ainda, oficial de confeiteiro, observou que Julião não tomava parte nos brindes, e, fazendo convergir sobre ele as atenções de todos, disse-lhe:

—Então vocemecê porque não bebe? Não gosta de vinho?

—Não bebo—respondeu Julião—porque acabo de cear em minha casa, e eu não costumo beber senão ás comidas.

—Ora—disse o confeiteiro com modos impertinentes—isso será muito bom para a saude, porém eu creio que o vinho é sempre bom.

—Cada um tem as suas idéas, e eu tenho as minhas.

—Pois olhe: o que a mim me parece é que vocemecê tem cara de padre, e que se não brinda é porque não é homem.

—Ai!—exclamou Julião com toda a calma,—por aquilo que eu brindaria seria para que Deus lhe desse mais juizo e menos palavriado.

Uma gargalhada geral ressoou em toda a sala ao ouvirem as palavras de Julião. Este, conhecendo, pelo estado dos convidados, que aquilo não era logar proprio nem para ele nem para sua esposa, deixou a sala, despedindo-se cortezmente de todos.