—Triste coisa é a gente encontrar-se em presença da fria verdade que esmaga! Oh! que Deus perdôe a todos.

O evangelista continuou:

—Agora passemos ás Escrituras. V. apresenta-me como razão das suas crenças a autoridade dos homens; e eu aceito-a para confundir essa autoridade com a de Deus. A essencia, o fundamento, da missa, está contida no artigo V. do Credo do Papa Pio IV, que diz assim: «Confesso, eu mesmo, que na missa se oferece a Deus um verdadeiro, proprio e propiciativo sacrificio pelos vivos e defuntos, e que no santissimo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o corpo e o sangue, juntamente com a alma e a divindade, de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que se verifica uma conversão de toda a substancia do vinho no Seu sangue, á qual conversão chama a Egreja Romana transubstanciação. Tambem confesso que sob qualquer das duas especies se recebe Cristo total e completamente, e que são um verdadeiro sacramento.» Este artigo, ensinado aos catolicos, obriga-os a crêr em varias coisas; porém as duas principaes são: primeira, que na missa se oferece a Deus um sacrificio de propiciação pelos vivos e pelos mortos; segunda, que na missa, e sob as especies do pão e do vinho, está real, verdadeira e substancialmente Cristo, com a Sua alma e divindade.

Depois disto, e dado o caso de que alguem ousasse levantar-se contra tal impiedade, ou não podesse admitir uma tal crença, vem-nos o concilio de Trento decretar em sua sessão 22, canon III, o seguinte:

«Se alguem disser que o sacrificio da missa é sómente um sacrificio de louvor e acção de graças, ou uma mera comemoração do sacrificio feito sobre a cruz, e que não é propiciatorio, ou que aproveita sómente áquele que o recebe, e que não deve ser oferecido pelos vivos ou pelos mortos, por seus pecados, castigos, penitencias mal cumpridas e outras necessidades, seja anatema

Todo o catolico romano está obrigado a calar-se e a acatar esta doutrina, esteja ou não conforme com ela, sob pena de ser fulminado pelo anatema.

O ensino, pois, desta egreja é que, cada vez que um sacerdote celebra missa, oferece a Deus um sacrificio proprio e propiciatorio pelos vivos e pelos mortos. Quem é o sacrificado neste sacrificio? Cristo, o mesmo Cristo do Golgota, o Jesus de Belem.

Quando principiámos esta discussão, disse-lhe que, tal como a queda e o caido, assim tinha que ser a redenção e o Redentor. Agora—acrescentou, tirando do bolso a Biblia—contra a doutrina de que o sacrificio de Cristo possa repetir-se ou renovar-se, temos o cap. 6, vers. 9 e 10 da Epistola de S. Paulo aos Romanos.

«Sabendo que, tendo Cristo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá sobre ele mais dominio. Porque, emquanto a Ele morrer pelo pecado, Ele morreu uma só vez; mas, emquanto a viver, vive para Deus.»

Escute tambem o que dizem os textos seguintes: