—A mãe do mestre—respondeu-nos ele, e desapareceu por uma porta, que havia no pateo, e que dava passagem para a loja do vidraceiro.
Então sahimos para a rua, e, olhando para a vitrine duma loja que ha ao lado do portal, a nossa vista foi fixar-se no seguinte letreiro, que se lê no cimo dela:
JULIÃO
Vidraceiro, Chumbeiro e Latoeiro
Este nome tambem nos traz á memoria uma pessoa e um facto, e a nossa surpreza foi grande quando a porta da loja se abriu e apareceu nela um rapaz, a quem havia bastante tempo conheceramos quando era ainda menino, disputando com um sacerdote.
Efectivamente, este homem é Julião, e a senhora que lia no pateo era Josefa, a vendedeira.
Mas que mudança! Quem havia de reconhecer neste joven o filho de Josefa?
Pouco depois da epoca em que o conhecemos, o Senhor lhe proporcionou trabalho em casa dum bom mestre, onde, ao fim dum ano, se cativou das suas simpatias.
Era o mestre de Julião de edade avançada, viuvo e pae duma joven de 19 anos, que o tratava com todo o carinho duma boa filha, e a qual se chamava Maria das Dôres.
Ao cabo dum ano, que Julião esteve á frente da casa, progrediu esta de tal maneira que o mestre não deixava de falar em toda a parte no seu oficial. Passados dois anos, depois que Julião estava em casa do mestre, viu-se este atacado duma pneumonia, e, sentindo que os seus ultimos momentos se aproximavam, chamou Julião e disse-lhe: