—Com que então eu sou um impio! E como o sabes tu? O que me pésa no coração não é o ter-me oposto a que Antonia se confessasse, mas sim ter sido tão fraco que permitisse que o padre Francisco a tenha confessado. Tendel-o entendido? Demais, agora creio-me menos impio do que antes, porque, em logar de não pensar nada em Deus, agora penso alguma coisa.

—Senhores—interrompeu Julião,—se me permitem, direi algumas palavras, as quaes, com o auxilio de Deus, nos serão muito uteis para esclarecer esta questão.

—Senhor Julião—disse Brigida,—todos sabemos as doutrinas que professa; eu sei o que creio, e nada me desviará dessa crença.

—Muito bem, senhora Brigida—respondeu Julião,—porém permita-me uma pergunta? Em que crê?

—Eu creio no que diz a Egreja.

—E que diz a Egreja?

—A Egreja diz... diz... diz o que diz; eu bem sei o que diz.

—Mulher—interrompeu o carpinteiro,—com essas razões ficamos inteirados.

—Diga-me, sr.ª Brigida—esclamou Julião,—que conseguiu Antonia com a confissão que fez ao P.ᵉ Francisco?