—Vêr Ernesto.{103}

—Deixa-o, está dormindo; o que precisa é de socego.

No dia seguinte Ernesto levantou-se de melhor parecer, e os tres amigos tomaram juntos uma chavena de chá e alguns biscoitos inglezes.

Nem André, nem Marcial tornaram a perguntar a causa da sua tristeza, mas elles tambem estavam tristes e desgostosos.

N'aquelle mesmo dia ficou o quadro de Ernesto na exposição. Á noite reuniu-se com os amigos no café. Todos respeitaram a taciturnidade do pintor, porque todos o estimavam e se compadeciam da sua incomprehensivel tristeza.

Assim se passaram quinze dias. A exposição de pintura abriu as portas ao publico, e o quadro de Ernesto arrancou um grito de admiração aos espectadores.

A figura de Esther era uma obra tão perfeita como a Virgem de Murillo. O quadro tinha sempre um grupo de admiradores, que o contemplavam com verdadeiro extasi.

Uma manhã Ernesto acabava de se levantar quando José, o creado, entrou participando-lhe que um cavalheiro lhe desejava falar.

Esse cavalheiro não era outro senão Fernando del Villar, Conde de Loreto.

Ernesto procurando simular uma serenidade que não sentia, offereceu-lhe uma cadeira, e perguntou tranquillamente o que desejava.