—Pateta! Nem tu nem Ernesto sabem o que é um milhão. Não ha quadro do mundo que valha essa quantia.

—O pae não conhece Ernesto.

—Mas entendamo-nos. Que é que tu queres? Que elle retire o quadro?

—Não é sómente que o tire da exposição, como tambem que publique nos jornaes um artigo, assignado por elle, dizendo que o quadro é do conde, o qual teve o capricho de que Esther fosse o retrato da esposa.

—Pois bem, falarei com Ernesto, e tudo se arranjará.

—Mas Ernesto recusa-se!

—Como! E porque recusa?

Amparo comprehendeu que era preciso revelar tudo ao pae, porque só elle podia valer-lhe n'aquelle apuro, e pegando-lhe carinhosamente nas mãos e olhando-o com doce expressão, disse-lhe:

—Porque Ernesto ama-me; porque tem ciumes, porque ao chegar a Hespanha e encontrando-me casada lhe fugiram todas as esperanças do seu generoso coração, e receio que commetta alguma loucura.

—Diabo! Diabo! Isso é muito differente! E teu marido sabe que Ernesto te ama?