—É grave, disse o facultativo. Mais tarde ou mais cedo morre. Deve ter soffrido muito.

Amparo retirou-se para os seus aposentos, e, fechando a porta, chorou.

O remorso começava a preoccupar-lhe o espirito.

[CAPITULO XIX]

Pagar a hospitalidade

D. Ventura mandou pôr uma cama no quarto de Ernesto.

—Serei o seu enfermeiro, disse, Amparo, e o conde ajuda-me n'esta tarefa. Animo, pois, amigo Ernesto, e não pense n'outra cousa que não seja em restabelecer-se.{119}

Desde aquella occasião o pintor encontrou uma familia carinhosa, solicita, que lhe prodigalizou todo o bem estar. Nem elle mesmo podia explicar o que se passava em redor de si.

Muitas vezes era Amparo quem lhe dava os remedios, limpando-lhe o copioso suor que com frequencia lhe inundava a fronte, e isto fazia-o mesmo deante do marido e com a amorosa solicitude de uma irmã.

D. Ventura logo ao segundo dia começou a tratar o enfermo por tu com a ternura e o interesse de um pae.