Ernesto leu duas vezes a carta, e, soltando um suspiro, murmurou em voz baixa:

—Eis-me amigo do conde de Loreto, de um homem com quem estive a ponto de me bater.

Ernesto abriu as caixas, encontrando n'ellas tudo quanto póde necessitar no campo um caçador de dinheiro.

Só a mão de uma pessoa intelligente teria sido capaz de reunir todos aquelles objectos.

Ernesto encontrou duas espingardas, uma de Scotte de dois canos, do systema Lefaucheux, outra de Greener para tiro de bala, uma excellente botica de viagem, uma barraca de campo, uma mala de couro da Russia com quinhentos cartuchos carregados com chumbo, e outra com duzentos carregados com bala; um fato completo de camurça, botas de cautchouc, facas de matto, um rewolver Flaubert de doze tiros, com ornamentações de ouro, um estojo com todas as peças em prata, duas mantas inglezas e varios artigos todos diversos e uteis.

Indubitavelmente o conde de Loreto gastára mais de cinco mil duros com o presente.

Ernesto contemplou tudo com profunda melancholia.

—É preciso acceitar, disse. Ia para Toledo com um equipamento mais modesto. Emfim, tanto melhor para o pobre Mauricio, que se se portar bem, será o meu herdeiro no dia em que eu morrer.{135}

Como se vê, Ernesto, não deixava nem um só momento a ideia da morte.

N'aquella noite Ernesto escreveu a seguinte carta: