—A embriaguez sempre me repugnou, continuou, mas é o meu unico recurso para esquecer. Que feliz é o homem que esquece!

E Ernesto esvasiou o segundo copo, fazendo um gesto de repugnancia; mas dominando-se a si mesmo encheu-o pela terceira vez, despejando-o rapidamente.

—Abraza-se-me a garganta, murmurou, mas é preciso que durma e que esqueça.

E, levantando-se tirou uma garrafa de champagne do armario onde as arrumára, fez-lhe saltar a rolha, e bebeu com avidez, dizendo:

—Este é que é o grande vinho! Vinde, sonhos côr de rosa! Vinde, ainda que seja uma mentira, uma illusão, fumo que desappareça ao sopro terrivel da realidade!

E depois de exgotar a garrafa, deixou-se cahir na cama, onde não tardou muito que adormecesse, porque estava completamente embriagado.



Mauricio e Petra levantaram-se com o sol, e viram, com grande assombro, ao passarem pelo quarto de Ernesto, que as janellas estavam abertas.

—Sahiria tão cedo? disse Mauricio.