«Mauricio é um honrado caçador de profissão que me serviu com desinteresse e sem esperança de recompensa: não sabe portanto que me occupo d'elle n'esta carta.

«Desculpe-me, senhor conde, a liberdade que tomo, e não se esqueça de que ao soltar o meu ultimo suspiro bemdirei os meus amigos.

«Apresente os meus respeitos á senhora condessa e dê um abraço de eterna despedida ao meu bom amigo D. Ventura.

Ernesto.»

O conde acabou a leitura da carta commovido, dobrou-a e guardou-a na algibeira.{182}

Nos olhos havia uma certa humidade, devida ás lagrimas.

Mauricio, vendo que o conde guardava silencio, e desejando acabar com aquella visita, disse:

—Se o senhor conde m'o permitte, retiro-me, pois preciso ainda esta noite regressar a Toledo.

O conde dirigiu-se para o cofre, abriu-o, e, depois de pensar um momento, começou a contar notas de banco.

—Mauricio, disse Fernando, ignora sem duvida qual a missão de que o meu amigo Ernesto me encarrega n'esta carta.