Ernesto levantou a cabeça, poz-se de pé e foi pôr-se em uma das entradas do caramanchão. O coração dizia-lhe que Amparo vinha.
A noite é em todos os paizes a protectora carinhosa dos namorados, porque o amor, vulgarmente timido á luz do sol, cobra valor e energia antes esses tibios reflexos que a lua envia do céu.
Ernesto, de pé junto da entrada do caramanchão, com uma das mãos sobre o coração e a outra languidamente caída, dirigia olhares cheios de inquietação para o silencioso edificio d'onde devia vir a sua felicidade, a sua dita, o anjo dos seus sonhos.
Passou-se um quarto de hora. Amparo não vinha, e os segundos passavam com um vagar, com uma monotonia aborrecedora para Ernesto.
Por fim os labios entreabriram-se-lhe, sem duvida para dar um grito de prazer, mas conteve-se. Vira desenhar-se entre as sombras das arvores a encantadora{43} silhueta de um corpo para elle conhecido, e em seguida uns passos se ouviram na areia das ruas que conduziam ao caramanchão, e o ligeiro frou-frou de um vestido que se approximava.
Ernesto sahiu ao encontro de Amparo, porque era ella; pegou-lhe n'uma mão e conduziu-a até ao caramanchão.
A joven tremia; estava nervosa e pallida.
Ernesto sentou-a n'um dos bancos procurando tranquilisal-a.
—Obrigado, Amparo, obrigado por tanta bondade. Tranquilise-se, os homens honrados que amam como eu, sabem respeitar o objecto do seu amor.
—Ernesto, respondeu a joven, commetti uma imprudencia. Nunca devia ter vindo.