Esta condescendencia animou o pintor.

—Vamo-nos separar, Amparo; não nos veremos durante tres mezes; necessito ouvir antes uma palavra que inunde de felicidade o meu peito, que deposite o perfume da esperança em meu coração. Tambem me ama?

—Ernesto, Ernesto, tudo isto me parece uma loucura, respondeu debilmente Amparo.

—Não, não é essa a resposta que desejo, é outra, meu anjo. Ama-me, sim ou não?

—Pois bem, sim. Ha muito que o devia saber; desde a noite do Colyseu de Roma.

Ernesto não poude conter um grito de immensa felicidade, e enlaçando com o braço a cintura da donzella exclamou:

—Juro pelas cinzas de minha mãe amar-te emquanto viva, e conquistar um nome tão glorioso que te sintas orgulhosa chamando-te minha.

Este juramento, esta exclamação, brotaram de uma alma de artista, cheia de fé, de enthusiasmo, de amor.{45}

Amparo assim o comprehendeu, e, agradecida por tão grande paixão, achava-se n'um d'esses momentos de fraqueza em que a mulher não tem forças para resistir, momentos perigosos, dos quaes só se aproveita o homem para satisfazer um desejo, causando a infelicidade d'aquella a quem jura um amor eterno e por quem n'esse instante faz os maiores sacrificios.

Mas Amparo rapidamente serenou; conheceu que era uma imprudencia permanecer á beira de tão grande precipicio, e ainda que Ernesto lhe inspirasse absoluta confiança, como elle mesmo acabava de dizer, amor não é outra cousa senão uma loucura sublime; por isso poz-se de pé e disse: