N'aquella noite foram ao theatro de Alfiere, onde se representava O pae de familia, do celebre poeta cómico Carlos Goldoni, a quem chamavam o Molière italiano.

Ao começar o primeiro acto abriu-se o camarote{47} fronteiro ao dos nossos amigos e entrou um joven vestido de rigoroso luto.

—Olhem, disse D. Ventura. É o nosso visinho do primeiro andar, o conde de Loreto.

Amparo dirigiu o olhar machinalmente até ao camarote.

Ernesto, como sempre, ao ouvir pronunciar aquelle nome sentiu uma vaga inquietação.

O conde de Loreto teria vinte e oito annos. Era alto; não podiam vêr-se com facilidade as suas feições, mas de longe parecia muito pallido, elegante e sympathico. Era um d'esses typos distinctos que fazem com que se fixe n'elles a attenção. Como o panno acabára de levantar, o conde sentou-se. Durante o acto esteve ouvindo com grande attenção. Ao acabar sahiu do camarote para não tornar.

A mais de metade do terceiro acto, D. Ventura que parecia gosar falando do seu visinho, disse:

—Que homem tão extraordinario!

—Quem? perguntou a filha.