—O conde de Loreto. Durante o primeiro acto, nem pestanejou, ouvindo com attenção os versos de Goldoni, e durante o segundo e terceiro não tornou a entrar, mostrando a indifferença irritante dos nossos elegantes de Madrid em noite de estreia.

Amparo nada respondeu. Ernesto guardou silencio.

Depois da comedia representava-se uma d'essas farças em um acto que tanto agrada aos italianos em que toma parte a figura de Polichinello; farças vulgarmente improvisadas pelos actores que as representam.

Como D. Ventura era um bom hespanhol, não sabia passar sem o cigarro, e sahiu do camarote para satisfazer o innocente vicio.

Ernesto e Amparo ficaram sós.

Durante alguns segundos ficaram silenciosos; ella parecia preoccupada, elle triste.

Por fim Ernesto rompeu o silencio.

—Que tem, Amparo? Noto nos seus formosos olhos uma melancholia que me entristece.{48}

—Penso que em breve nos vamos separar.

—Ah! sim! É verdade! Mas esta noite...