—Não, Ernesto, não; esta noite não vou ao jardim, receio que meu pae saiba.

—Pois bem, não quero ser exigente; não sáias, mas ao menos abre-me a janella para que possa vêr o luar sem testemunhas importunas; que possa dizer-te no silencio da noite o que sente o meu coração.

—Ámanhã, Ernesto, ámanhã, prometto-te abrir a janella para me despedir de ti; hoje sinto-me mal; necessito descançar.

—Mas é uma crueldade roubar-me uma noite quando tão poucas nos restam.

Amparo fixou os seus olhos no pintor, e compadecida da triste e apaixonada expressão de Ernesto, disse:

—Bem, abrirei.

Ernesto fez um movimento como para se apoderar de uma mão da Amparo, mas esta conteve-o com o olhar, exclamando:

—Que vae fazer? Que imprudencia!

Ernesto conteve-se, e só então se recordou que se achava no theatro.

Durante a farça, D. Ventura riu-se muito. Ao acabar dirigiram-se para casa.