Á uma da madrugada, Ernesto estava junto á janella do quarto de Amparo. Chamou suavemente. A janella abriu-se. Amparo apagara a luz; assomou á janella e começaram um d'esses dialogos, doces, apaixonados, cheios de encantadoras trivialidades, que só têem valor aos ouvidos dos namorados.

Quando eram tres horas. Amparo disse:

—Separemo-nos já, Ernesto.

—Bem, separemo-nos, mas dá-me outro beijo de despedida.

Amparo inclinou a cabeça e como na noite anterior, duas boccas se juntaram, e um beijo cheio de amorosa ternura interrompeu o silencio da noite.

Ernesto e Amparo, durante aquellas duas horas de{49} amoroso colloquio, fizeram mil promessas de amor e fidelidade.

—Não me esqueças nunca, disse o pintor; pensa sempre em mim.

Amparo tirou uma fita de seda com que prendia os cabellos e deu-a a Ernesto.

—Esta fita será a que une os nossos corações. Pega, conserva-a.

Ernesto cobriu de beijos aquella fita, que jurou conservar toda a sua vida como uma recordação de tão feliz noite.