—Oh! Aquelle não é o conde de Loreto?

Ernesto e Amparo voltaram-se.

Effectivamente, o conde estava sentado a um canto com um livro na mão, e falando em voz baixa com um velho de cabellos brancos, gravata branca e sobrecasaca preta que o ouvia em respeitosa attitude.

O velho era um d'esses typos proprios para mordomo{50} de casa rica; de parecer carregado, severo e completamente barbeado.

O conde de Loreto parecia dar-lhe algumas ordens; o velho cumprimentou e sahiu do salão e foi para o local destinado aos despachos na estação.

Ernesto poude vêr então perfeitamente aquelle rapaz, que parecia seguil-o como uma sombra.

Era, em verdade, bello e distincto, notando-se-lhe na pallida e sympathica physionomia uma profunda melancholia que interessava.

A julgar pelo traje, o conde ia emprehender alguma viagem.

—Irá para Paris, tambem? pensou Ernesto, sentindo-se inquieto, mau grado seu, ante o conde de Loreto.

A sineta deu o signal. Os passageiros dirigiram-se para a gare afim de escolherem logares.