D. Ventura, que caminhava á frente, deteve-se junto de um compartimento de primeira classe, e disse:

—Aqui.

E subiu adeante para dar a mão a Amparo.

N'um canto do compartimento e sobre um banco estava uma mala de viagem; no da frente o velho que pouco antes estivera falando com o conde de Loreto.

Era por acaso ou propositadamente a escolha de D. Ventura? Quem sabe? Talvez que o honrado commerciante, vendo n'um compartimento de primeira classe o mordomo do conde de Loreto, escolhesse aquella carruagem com o firme proposito de viajar com um compatriota de sangue azul, ou talvez não reparasse senão depois no silencioso e sympathico ancião.

Mas a escolha causou um profundo desgosto a Ernesto, que pela primeira vez sentiu no peito a terrivel punhalada do ciume.

O pintor apertou a mão do commerciante e depois a de Amparo, enviando-lhe toda a sua alma n'um olhar.

—Até setembro, lhe disse.{51}

N'aquelle momento ouviu-se uma voz varonil, mas doce e respeitosa, que disse em castelhano:

—Dá-me licença, cavalheiro?