—O senhor conde chamar-me-hia indiscreto se lhe fizesse uma pergunta? disse D. Ventura.

—Entre compatriotas que viajam juntos na mesma{58} carruagem deve reinar a maior franqueza. Póde perguntar o que quizer.

—Vae directamente para Paris, ou pensa detêr-se em alguma cidade de Italia?

—Vou para Paris; já percorri tres vezes toda a Italia.

—Então faremos a viagem juntos.

—Pelo que me considero extremamente feliz.

—Paris é o povo mais alegre da Europa.

—E tem a vantagem de que os estrangeiros em Paris encontram-se quasi tão bem como na sua patria.

—O caracter parisiense é a reunião da alegria e da amabilidade; gostam de ser amaveis, e esforçam-se para o conseguir.

—Sempre que d'isso lhes resulte alguma vantagem, continuou o conde, mas seja como fôr, passa-se admiravelmente uma temporada n'aquelles modernos boulevards, onde o luxo reuniu todas as encantadoras loucuras. Oh! Só para cear uma noite no café Tortoni, almoçar na Maison Dorée e passear uma tarde no boulevard dos Italianos vale a pena fazer-se uma viagem a Paris.