—E vae estar muito tempo na capital de França? perguntou D. Ventura.
—Tenho muito que fazer, disse Fernando, sorrindo-se; primeiro ouvir a Patti na Somnambula, depois correr uma egua arabe nas proximas corridas de cavallos. Quero ganhar o premio que offerece a Imperatriz, que é uma rosa de brilhantes.
Amparo, que ouvia com prazer a conversa, ainda que não tomasse parte n'ella, ás ultimas palavras do conde, pensou que não seria pelo valor da rosa de brilhantes que elle desejava ganhar o premio, mas para fazer com elle uma offerta a alguma pessoa querida.
Desde aquelle momento Fernando del Villar, conde de Loreto, era para ella um homem que começava a espicaçar-lhe a curiosidade.
—Ah! disse D. Ventura. Tem em Paris a egua que vae correr?{59}
—Tenho em Madrid os meus cavallos, mas mandei vir para Paris a minha invencivel Rabeca. Creio que assistirão ás corridas.
—Teremos muito gôsto desde que se effectuem dentro d'um mez, e ao mesmo tempo uma grande alegria em que seja vencedor.
Quando se começa uma viagem, durante os primeiros momentos, mais ou menos prolongados, segundo o caracter dos viajantes, só reina o maior silencio; cada um pensa quem será o companheiro da frente ou lado, mas uma vez entabolada a conversa estabelece-se uma certa intimidade agradavel que dura toda a viagem e ás vezes toda a vida.
Durante a viagem dos nossos conhecidos, reinou a maior harmonia. Amparo e o conde falavam de musica; o mordomo e D. Ventura, de numeros. O honrado millionario estava satisfeito por ter encontrado tão bons companheiros.
Uma vez em Paris, como D. Ventura era um homem rico que viajava por prazer e não tinha casa na moderna Babylonia, deixou ao conde de Loreto a escolha do hotel onde deviam hospedar-se.