Fernando optou pelo Hotel do Louvre, e installaram-se em dois quartos contiguos no segundo andar com toda a commodidade que offerece aos passageiros o citado estabelecimento.
O conde quiz que se collocasse um orgão no quarto de Amparo, offerecendo-se para lhe dar algumas lições.
—Sou muito pouco habilidosa, disse Amparo, agradecendo-lhe com um olhar aquella deferencia.
—Ora, respondeu o conde. Para uma mestra de piano como Vossa Excellencia nada mais facil que aprender orgão. Creia que em quinze dias póde tocar perfeitamente.
—O que me vae custar uns oito ou dez mil reales, disse D. Ventura, porque terei de comprar um.
—E nunca em melhor occasião do que agora que estamos em Paris, onde os constructores mais afamados têem os seus armazens. Ámanhã visitaremos{60} alguns, com tres mil francos na carteira.
—Vejo, que tanto o senhor conde como Amparo, conspiram contra a minha bolsa.
No dia seguinte compraram um orgão, precioso instrumento de doze registos, incrustado em madreperola; uma verdadeira obra de arte que custou a D. Ventura seis mil francos, e que foi escolhido pelo conde, e o ex-commerciante não quiz deixar mal o joven aristocrata.
Pagou D. Ventura, encarregando o fabricante de lh'o remetter para Hespanha, e não se tornou mais a falar no assumpto.
Todas as tardes Fernando dava lição de orgão a Amparo. Ao principio estas lições foram curtas, depois prolongaram-se a duas horas.