Folgando em fim de encontrar Fanny em tal disposição de espirito, aventurei-me. Peguei-lhe da mão, e erguendo-me, em quanto ella me olhava affectuosa, disse, n'um tom supplicante:

«Com tudo... se tu quizeres...»

Fanny corou logo, comprehendendo que se demaziava.

—Que queres tu dizer-me?

Não ousei responder; mas ella, por certo me adivinhou, por que me apertou meigamente a mão, e disse suspirando:—creança!

Eu fiz com a cabeça um gesto negativo! «Deixa-me!—disse ella de sobresalto, em tom de precipitada—Curar-te has assim? Não posso fazer-te feliz. Caza-te!»—A dôr anniquilou-a. Repelli-lhe rudemente a mão, e fitei-a colerico, por essas phrazes que me pareceram uma ameaça. Mas tão quebrantada a vi, que não tive coragem de a levar ao extremo, e murmurei por de mais:

—Bem sabes que não é possivel isso.

Replicou:

«Dei-te quanto podia haurir d'affectos em meu coração, e és tu quem me castigas!

Estava offendida: foi preciso aquietal-a, e jurar-lhe submissão; ella, porém, não perdoava assim, e exclamou:{67}