—Escreve-te regularmente?—ajuntei eu, depois d'um momento de silencio, durante o qual eu sentia as garras do meu antigo furor atassalhar-me o espirito.

—Pois então!... disse ella—todas as semanas.

«Porque te escreve elle?... Separados por tão violenta discussão, parecia que os corações deviam separar-se para sempre.

Fanny olhou-me com espanto e ficou pensativa. Mas, como eu esperasse resposta, replicou:

—Espantam-te sempre as mais singelas coisas. Não é natural que meu marido me diga dos seus negocios, e me falle dos seus filhos?

«É justo... Eu não tinha pensado n'isso—murmurei.

Fallou-se de muitas coisas; mas, a sós commigo, reflexionei immenso.

«Respondes ás cartas de teu marido?{119}

Fanny fez-se livida, hesitou, e deu signaes de impaciencia. Depois simulou um ar de indifferença, respondendo:

—Escrevo-lhe raras vezes;