—D'antes, tambem me confiavas o segredo dos negocios domesticos: não esqueças isto, Fanny.

—Oh! hoje é muito differente.

—Porque?

—Porque... cá me entendo.{120}

Isto fez-me reflectir novamente. Fanny levou as mãos ao céo com piedosa expressão; eu estava como involto nas sombras da morte. E assim nos contemplavamos. Era-me impossivel a quietação. Agitava-me d'um para outro lado.

—Se dizes a verdade, Fanny, por que me não mostras as cartas que lhe mandas?

—Não é possivel. Quem lêsse uma, comprehenderia as outras.

—Não obstante, eu bem quizera conhecer o tom das tuas cartas. Porque lhe não escreves agora, mesmo aqui? Falla-lhe de tudo menos do que não quizeres que eu comprehenda. Eu mesmo levo a carta ao correio. Supplico-te, Fanny... Se nada temes de ti, dá-me esta prova de confiança, para me tranquillisar que eu soffro muito.

—Não é possivel—redarguiu ella, com signaes de offendida.

A raiva que me devorava o coração estalou desassombrada: