XXIII

INSONDAVEL

Eternamente fria, inamovibel, Materia alevantada á luz da vida, Não sei se me será doce guarida, Se para mim será um impossivel. Ausculta-se, não pulsa. É insensivel Aos sonhos meus, á minha voz sentida, Gelada, sempre fria, incomprehendida Do amor é uma nota não tangivel. E tem no olhar vibrante o eterno fogo Que se propaga a alma e fere logo Enlaçando n'um aro o coração. --Ama?--Eu não o sei! Extranha amante! Illapidada assim como um brilhante, Talvez da naturesa aberração.

XXIV

O TEU SEIO

O delicado aroma do teu seio Enche-me o coração d'affecto puro, O peito me embriaga em doce enleio, Brilha de luz e amor o ceu escuro. Ai, quanto mais o aspiro, mais anceio, Quanto mais temo, mais estou seguro De que hade ser o aroma de teu seio Que hade raiar de sol o meu futuro. Os oleos santos dos passados cultos, De myrrha, e nardo, e rosa, oleos sepultos Na fria escuridão da antiguidade; Não tinham mais perfume delicado Que o seio teu gentil e perfumado, Seio gentil d'eterna suavidade.

Á VENDA NA LIVRARIA
DE
JOÃO E. DA CRUZ COUTINHO--EDITOR
13--Rua do Almada--16


A. Carvalhaes

Partida de Camões para o desterro d'Africa, poesia no tricentenario do epico (nova edição correcta) ...... 200