—Rosa!... murmurou ele, és tu?... ou é o teu fantasma?...

Um fantasma! Não: foi bem realmente um corpo de donzela, um corpo flexível e palpitante, que se lhe lançou nos braços! Foram duas mãos pequeninas, mas bem vivas, que lhe enlaçaram o pescoço! Foi o puro hálito de Rosa, que lhe deslizou nos lábios!

E André, deslumbrado, louco, fora de si, ébrio de felicidade, embebia-se na contemplação de um rosto bem real, de um rosto adorado, de um rosto comovido, radiante de júbilo, envolto numa auréola de cabelos louros...

Entretanto, mais outra forma vaga subia nesse momento as escadas do terraço. Parou estupefacto. Desta vez, era uma sombra masculina, uma sombra estreita e alongada, trajando fantásticas vestes, que ondeavam em volta dela, como um lençol cor de ferrugem dependurado num pau.

A sombra não soltou uma palavra, como convém a uma sombra que se respeita; porém, um som singular atravessou o espaço; jurar-se-ia que a sombra estava raspando uma noz moscada. A este ruído prolongado, os dois jovens despertaram do seu êxtase,{153} e André, chorando e rindo ao mesmo tempo, André mais ébrio do que se tivesse esvaziado seis garrafas de Champanhe, atirou-se ao pescoço da sombra, exclamando:

—Adivinho tudo!... adivinho tudo!... Obrigado... obrigado, meu querido sogro!

A sombra debateu-se violentamente.

—O senhor!... Com a fortuna! Que faz aqui?

—Ora essa!... Abraço-o.

—Quer dizer... que abraçava minha filha?