«Concidadãos!»

Custou a fazer silencio e, apesar de restabelecida a ordem nos grupos mais proximos, ainda da arcada dos carceres, de onde se não via o orador, vinham echos desencontrados, provocando um sussurro de protesto.

«Concidadãos!»

E a voz cava de Cypriano repetiu a invocação, procurando o volume preciso para se fazer ouvir até ao extremo.

Que queria ali aquelle homem?

Cravavam-lhe olhos esbugalhados os camponezes, pasmados de que alguem se atrevesse a levantar a voz em publico, sem ser um clerigo, sem ter que contar milagres de santos.

N'um grande esforço, conseguira o orador fazer retumbar até ao canto da praça, onde costumavam juntar-se os mariólas, como um grito de alarme:

«Nas actuaes circumstancias mais vale morrer com as armas na mão do que soffrer os insultos dos satélites do usurpador!»

A convicção das suas palavras fez estremecer os proprios que estranhavam esse secular imitando padres, fazendo pulpito da escadaria municipal.

Continuava trovejando a voz de Cypriano, modelada pela entoação dos prégadores, pois não tivera a lição civica da oratoria constitucional.