—Ah! Então fica encarcerada?

—Cale-se e obedeça!

—Não, que me sóbe uma coisa á garganta, e rebento se não lhe digo as verdades! Quer fazer-lhe o que me fez a mim, que me fechou como a um cão, para se meter com as creadas e com as mulheres do monte, vindas de proposito pagar as rendas em vez dos homens, para levarem sua pataca amarrada na ponta do lenço!

—Já acabou? Então oiça, e veja se tem a imprudencia de me desobedecer. Já sabe o que lhe custa!

—Quere-a para freira?

—D'aqui em deante não a deixe só, não lhe consinta cartas. Não a perca de vista, tome cautella. Eu vigiarei ambas.

E confirmando a ordem n'um gesto de ameaça, saíu em passos largos, bordão em punho, caminho da adega, a visitar o alambique.

Muito irritada, porque a vigilancia da filha ia alterar-lhe os habitos, entrou-lhe D. Perpetua com mau modo pelo quarto dentro:

—Venho aqui esfogueteada por sua causa. Ouvi a seu pae o bom e o bonito! A menina precisa ter muito juizo. Lembre-se de quem é! Seu pae não quer que saia do quarto sem licença, e olhe que se ateima no namoro, é capaz de lhe pregar as janelas.

Recebeu Maria com indifferença a reprimenda, levantou-se e encaminhou-se para a porta.