Ao affirmar que a amava não parecia o mesmo; grave, offendido, dizendo retirar-se para sempre, decidido talvez a morrer n'essas luctas onde tantos caíam crivados de balas.

Na sua imaginação de rapariga apparecia João envolto no prestigio do sacrificio, via-o galhardamente na estrada brandindo uma lamina, arrostando com as ameaças, tão differente do tempo em que córava ao fingir-se ella convencida de que fr. Angelico lhe dava puchões de orelhas.

Parecia outro, mais esbelto, mais homem assim fardado; e agora lembrava com desvanecimento que elle lhe chamára bonita e dissera ter o futuro nos seus bellos olhos, a esperança de felicidade nos seus labios.

Queria-a para mulher. E poderia ser? Elle não era nobre, o que diziam não ser já preciso para nada. Mas o pae, só por uma desconfiança fizera o que fizera! Não quereria ouvir falar em semelhante casamento. Que haviam de fazer?

João o diria. Decidido como se mostrára, levaria tudo a bom caminho.

E se casassem?

Era bem differente do pae; delicado, fino! Não seria desgraçada como a mãe.

Que alegria a d'elle se a escutasse. Ah! mas teria vergonha de lh'o confessar. Da sua bocca nunca o ouviria. Dar-lho ia a saber pela prima. Oh! pela prima não. Achava-o tão lindo, era capaz de roubar-lho. Mas João amava-a muito para fazer caso de outra mulher. Portanto não lho mandaria dizer por pessoa nenhuma, havia de repetir-lho ella propria.

Habituar-se-ia, pouco a pouco, um bocadinho de cada vez, dando-lhe a perceber nos olhos...

Pois se casassem haviam de ter segredos?