A vida da materia. Então bellas, formozas,
Por cima d'essa campa onde agora repouzas,
Hão-de brotar de ti as lindas flores viçosas
Na vaga poesia harmonica das cousas.
Rosas a recordar teu risonho futuro,
A tua juventude os cravos em botão,
O martyrio o finar na dôr tão prematuro,
O cypreste a lembrar teu grande coração!
Angra do Heroismo, 9-9-88
+A REVOLUÇÃO+
Campeia a tyrania, esmaga, oprime,
E da vontade o despota faz lei,
Do povo a justa voz cala, reprime,
Ou dictador, ou presidente, ou rei.
Calca aos pés os direitos mais sagrados
E trucida os que querem reagir,
Apoiam-n'o as bayonetas dos soldados
Não teme pois da plebe o rebramir.
Mas de repente os odios comprimidos
Estalam sanguinosos, em rugidos,
Irrompem como a lava do vulcão,
Fazem voar o throno em estilhaços,
A liberdade impõe com rudes braços,
É a tua grande obra—Revolução—
Lisboa 1891