Oh! Quem me dera beijar-te
A tua face rosada,
Esses labios de carmim.
Oh! Quem podesse abraçar-te
E gozar, ó gentil fada,
Caricias ternas, sem fim.
Quem podesse contra o seio
Estreitar-te e essa boquinha
Sorvel-a n'um beijo quente,
E sentir-te em devaneio
Palpitar, gosar, louquinha,
Caricias de amor ardente.
Desprezando os preconceitos
Sellemos com esse amor
Potente da nossa edade,
Estreitando os nossos peitos,
Em plena vida d'amor,
Mil juras de felicidade!
Que dizes, linda, pois córas?
Antegosas as delicias?
Suspiras rubra de pejo?
Ou na tua mente infloras
Esses milhões de caricias
O amoroso d'um beijo?
Pois bem, gozemos, meu anjo,
E sejamos sempre queridos
Um do outro, minha flôr,
E das delicias o archanjo
Venha achar nos sempre unidos
Gozando do nosso amor!
Angra do Heroismo, 1892
+OS CREPES DE CAMÕES+
Portugal jáz por terra! Esta patria querida
Dos fortes, dos heroes, dos rudes marinheiros,
Esta nação valente, homerica, aguerrida
Que soube rechaçar outr'ora os estrangeiros,
Jáz por terra abatida! A bandeira de gloria
Que fulgurou ovante ao sol de cem combates
E sempre ha-de brilhar, aqui, em toda a historia
Que foi desde o Brazil ás regiões do Gates.
Hoje roja-se no pó! De tudo o que tivemos
De brio, heroicidade, altivez e coragem
Nada nos resta já! Parece que viemos
Perdendo tudo, tudo, em funebre viagem!