Mas a precaução de começar a contagem de Cale para Talabriga, obsta ou impede aquella inflexão e obriga a trazer o caminho numa directriz mais desempenada para a ponte de Vouga. Volvendo os olhos á curva TT do mappa, ver-se-ha que Cacia lhe fica a distancia grande porque, com este desvio da trajectoria normal, a medição romana perdeu espaço, atrasando-se.

Se não fosse este meio de verificar o erro, era possivel a desorientação.

Creio, pois, ter demonstrado pela ethnographia e pela geometria topographica que Talabriga não póde ser collocada em Cacia, quer se olhe á Talabriga preromana ou protohistorica, quer á romana ou historica; á Talabriga de Appiano e D. J. Bruto ou á da epoca imperial e do Itinerario.{25}

[X]

Como, segundo se infere de Appiano (vid. adeante), o oppidum de Talabriga continuou a ser habitado depois da sua rendição no sec. IV a. C. e emfim ainda existia no sec. IV d. C., poderia succeder que elle conseguisse resistir á vinda dos barbaros, e chegar ao dominio dos arabes. Convinha pois consultar a geographia arabica, e o nome de Edrisi, geographo do sec. XII, impunha-se-me logo.

O que das suas differentes traducções se conclue, não é nada claro para mim que ignoro o arabe, mas poderá auxiliar o estudo da questão por parte dos arabistas.

Ha uma edição de 1619 (Paris) com o titulo de Geographia Nubiensis, que quero pôr em confronto com a traducção de Amédée Jaubert (Géographie d'Edrisi, Paris 1840).

Edrisi descreve dois caminhos de Coimbra a Santiago de Compostella: um por terra, outro por mar.

Caminho por terra

Ed de 1619 (trad. lat)