O areopágo, essencialmente aristocratico, compunha-se de archontes que tinham findado o periodo de exercicio do seu cargo. Era uma especie de senado judiciario e politico.

Solon, ao mesmo tempo que regulou a ordem politica, legislou tambem para a vida civil. Attendeu ás condições da familia, ao casamento, dotes, tutella de menores, direito de testar, ordem de successões, etc.

Só não legislou para o caso de parricidio, pois não admittia que tal crime pudesse ser commettido.

Lycurgo tinha proscripto o trabalho; Solon animou-o e constituiu-o n'uma obrigação, punindo a ociosidade. Nas suas leis civis o legislador atheniense não sacrificou o homem ao cidadão, nem a moral á politica, como fez o legislador espartano.

Os Pisistratidas.—Apezar da promulgação das leis de Solon, as dissidencias entre as diversas facções recrudesceram; os nobres pretendiam a preeminencia absoluta; o povo, não satisfeito com o governo mixto de Solon, queria transformál-o n'uma pura democracia.

Á frente do partido popular estava um homem habil, pertencente á aristocracia da riqueza, Pisistrato. A influencia que elle exerceu na cidade chegou a contrabalançar a dos magistrados (565).

Pisistrato não era violento, nem exercia rudemente a sua tyrannia; protegia até as artes e as lettras. Em 560, simulando que o haviam querido assassinar no meio da praça publica, conseguiu que lhe fosse dada uma guarda para sua garantia pessoal. Com essa guarda, porêm, desarmou os cidadãos, poz em fuga os seus inimigos, e apoderou-se da cidadella e do governo (560).

No anno seguinte, foi expulso pelos chefes das outras facções,{29} Lycurgo e Megacles; mas conciliando-se com este ultimo, ajudado por elle, poude voltar a Athenas (556). Casou então com a filha do seu alliado Megacles, chefe dos Eupatridas, mas foi outra vez exilado por este, em 547. Voltou dez annos depois, á frente de um corpo de mercenarios, que ficaram sendo a sua guarda habitual, e conservou-se no poder até ao fim da vida. Soube, no emtanto, honrar, se não legitimar, a sua usurpação com uma gerencia habil e prospera.

Succederam-lhe (528) seus dois filhos, Hipparco e Hippias, os quaes governaram juntos e perfeitamente tranquillos até 514. N'este anno, dois moços athenienses, Harmodio e Aristegiton, movidos por uma violenta animosidade contra os dois irmãos, combinaram matál-os. No dia da festa das grandes Panathenéas, dirigiram-se ao Ceramico, levando os seus punhaes escondidos sob ramos de murta. Hipparco foi morto; mas Hippias salvou-se e impoz ainda durante quatro annos aos Athenienses, um despotismo cruel. A poderosa familia dos Alcmeonidas, que estava exilada, logo que achou momento opportuno, resolveu-se a derrubar o ultimo dos Pisistratidas. Procurando o apoio dos Espartanos e auxiliados por um exercito dorico, intraram em Athenas e constrangeram o tyranno a uma capitulação que o exilava. Este retirou-se para a corte da Persia,—e, vinte annos depois, incontramol-o combatendo a sua patria nas planicies de Marathona.

A democracia atheniense.—A queda de Hippias animou os Eupatridas, dirigidos por Isagoras, a intentarem o restabelecimento da oligarchia das familias nobres. Mas á frente dos Alcmeonidas estava Clisthenes, archonte eponymo ou primeiro archonte, que reformou as leis de Solon tirando-lhes os elementos aristocraticos, e foi o verdadeiro fundador do regimen popular em Athenas.