Có-có-rócó!
Có-có-rócó!
Ririam das janellas, as meninas atirar-lhe-hiam ovos e rebuçados, e toda a gente teria desejos de saber quem era o gallinho gaiato, que tão petulantemente cantava.
E sabendo-se que era elle, o Gabriel da Clara, que vendia cautelas e dera um premio de 100$000 reis aos freguezes tendo ainda nove annos, que successo não seria, que de bolos lhe não atirariam as senhoras! Fluctuando n’estes castellos rendilhados de auroras e sonho, tinha machinalmente levado as mãos ás algibeiras. E olhava sempre a radiante cabeça de gallo, em desejos que lhe nascessem pennas pelo corpo, bellas azas de côres nos hombros, e um admiravel rabo coberto de plumagens.
Có-có-rócó!
Có-có-rócó!
Sentiu alguma coisa dura no bolso. E veio-lhe de repente um repellão interior—eram os tres tostões em patacos. Diabo! E encarando-o com ar de provocação, a cabeça de gallo parecia escarnecel-o, armar-lhe fosquinhas, dizendo-lhe a espaços:
—Compra-me, não és capaz... Não tens cheta, pobretão! Então marcha, zt, rua!...
Isto agoniava Gabriel, que de olhos errantes, um abalo de crime, ia tocando successivamente os patacos no bolso, ao acaso. Entrou na loja—ó meu senhor!