Passos na escada, empurravam a porta da alcova, apparecia um homem aos tombos, chapeu para a nuca.

Buenas noches!

E ahi despertava eu de novo, e me punha a correr pelas ruas, atraz do primeiro homem que via, e á cata da primeira janella alumiada, qualquer porta aberta, do menor rumor que despertasse os echos.

Umas poucas de horas andei n’essa vagabundagem furiosa, tropeçando, fallando alto, querendo investir com tudo. Mas a fadiga vencia-me, tinha os cabellos empastados de suor, vinha-me embriagando uma tristeza estupida, desopilante e brutal. Então sentindo ar fresco, penetrado dos cheiros acres do mar, ergui a cabeça para vêr á roda.

Estava na praia, deante das janellas do morgado, ainda alumiadas áquella hora da noite.

Subi as escadas a correr, dei com elle em mangas de camisa, cabeça amarrada n’um lenço da India, chinelos de mouro, um arquejar de soluços.

—Que é, velhote? disse eu surprehendido de o vêr afflicto. Alguma coisa de cuidado, más noticias?...

Elle rompeu a chorar, agarrado a mim n’um desalento profundo.

—Não sei do pequeno, desde esta manhã que o meu filho desappareceu.