—É mamã, mamã, disse elle vivamente.
—É verdade, mamã. Não a vias ha muito tempo, hein?
—Não a via, repetiu elle, e a testinha comprimida, fugindo para traz, sem esphericidade e sem bossas, fazia sahir aguçado o focinhito de bruto, meudinho e pallido, com os buracos das ventas ranhosas, esmagadas a murro, e a bocca fria, inexpressiva e inerte, que tinha a brevidade d’um golpe.
D’alli a uma hora appareceu o morgado.
—Saiba o senhor que abalo ámanhã, exclamou elle com modos sacudidos, um tremor nas mãos. E em ar de explicação: Vou viver de todo nos mattos. Outro socego nas herdades! Queres, hein, Luiz?
Agarrei no chapeu para sahir, e apertando-o nos braços:
—Se precisar de mim escreva, adeus.
Elle abraçou-me convulsivamente, com angustia.
—E ahi está para que um homem é honrado sessenta annos! Olhe, palavra de honra. Queria antes que o senhor não soubesse. Perdão. É a minha vergonha! Não quiz crêr...