—Então vens á de S. João?
—Tal e qual!
—Pois isto é tarde por aqui, juntou vagarosamente o pastor.
Rosaria teve um sobresalto, o monte ficava longe, não andava viv’alma, e tão fóra de horas!... Então olhando para si, reparou que estava em collete, braços nús, pernas núas, as primeiras redondezas do seio em evidencia. N’isto, os novilhos brancos romperam na clareira, ás cambalhotas.
—Tambem!... disse o pastor. E sobre o lagedo da fonte, ficára immovel, bebendo o largo, narinas frementes, circulação de novilho nas fórmas athleticas que tinham á lua, soberbos detalhes de musculatura.
As ultimas ovelhas tinham já bebido, e ainda por duas vezes, o Pedro mergulhou na agua santa o grande balde de cobre, para encher o cantaro de Rosaria. Tremula e muda, a pobre achegava-se sem ousar fital-o, receando a primeira palavra, qualquer ousadia permittida pelo abandono do sitio. Eram quasi da mesma edade, tinham brincado creanças, esfarrapados e trigueiros, rolando-se nas relvas com essa alegria selvagem dos que convivem longo tempo com o gado, e sem saber o imitam nas suas cabriolas. Sem o menor resaibo de amargura, a voz do Pedro disse-lhe:
—Hontem estavas a fallar com o boieiro do Monte-de-Trigo. Diz que não?
—Estava, sim. A irmã tem andado doente. E como é rapariga da minha aquella...