—Quem vem a ser aquella nau?
—Que? Nau! Aquella é a grande Barbara de Loures, que vendo-se adorada por um homem das classes superiores, não pôde resistir-lhe.
E baixando a voz n’uma lascivia desordenada e surda: de encher a cama, c’um raio! Em eu as vendo de barba, hum! já sei—com’as castanhas, muito boas e muito quentes. Diz que só ajuntando-se... Mas ando a vêr se a atraco pela politica. Que a gaja é uma republicana escamadissima. Para embrulhos não quer senão o Facho. Ai, mas que carninhas!
—Pois é matriculal-a, disse Arthur.
—Hein? fez amigo Flores espinoteando, como beliscado no posterior das zonas medias.
—N’um club jacobino, está visto.
—Ando a pensar em servir-me d’ella para tornar os mercados republicanos. Isto, passada a lua de mel! fez elle com grande ostentação. Olhe que se angariam n’aquella Praça magnificos correligionarios, gente destemida, malta de pulso, arruaceiros! Entre as mulheres sobretudo. Porque as mulheres são uma força desaproveitada, já ousei dizel-o no famoso comicio de 24! Ellas muito serviçaes, muito sinceras! e nas bernardas, olhe que não sei! Em summa, Alcantara com dois ou tres clubs de femeaço, dá brado. Se tal metto em cabeça á grande Barbara, ella por um lado, eu por outro, e não dou á caranguejola do throno um mez para se mandar mudar. Que eu tive já esta ideia para creadas de servir. Mas vossê sabe, a municipal incute-lhes respeito ás instituições. Emquanto estiver a guarda, podemos contar que a creada de servir é pela monarchia.—E circumvagando olhares desconfiados, poz-se mysteriosamente a dizer que o não largavam, malandros! não era senhor de fazer um passo na rua.
—Mas quem? perguntou Arthur.
—A policia, homem! Como lhes faço medo, mandam-me guardar á vista. Erros do paço. Pois vou-me. Não sabem elles que a obra da revolução é fatal como a das tempestades. Até sempre. Marcha-se porque se marcha; é boa essa!