—Espere cá, espere cá, disse Arthur que não tinha podido sustar-lhe a verborrhêa de Quixote vingador. Preciso de vossê, appareça de manhã. Quero sessenta roseiras do melhor, custe o que custar. Pés com flôr, o mais vigoroso que houver. Ámanhã sem falta então. Conhece vossê quem venda?
—Eu não, mas a grande Barbara deve ter noticia d’esse ramo de commercio. Não gosto de rebater asserções de ninguem, mas é muito, sessenta roseiras. Dará vossê baile?
—Não, dou de jantar a alguem, d’aqui por deante.
—Caspite, provaremos dos vinhos. Então casa armada? Se vossê faz gosto, pintamos-lhe frescos na casa de jantar. Alguma coisa no genero Pompeia, como se não conhece por cá.
—Não, não, disse Arthur. Só necessito as roseiras.
—Concedido. Adeusinho. Soube vossê da grande manifestação republicana do Mortalha e Onça em Caparica? Anda tudo ahi cheio, guarda reforçada. E o ministerio cae!
Imagine que eram os clubs todos, mais de trinta pessoas, tudo em grande burricada, com barretes phrygios e cannas verdes, cantando a Marselheza. O Trinta botou artigo de fundo. Ah, foi imponente! Ao jantar vieram felicitações dos democratas da Amora. D’esta vez o rei embarca! O meu discurso vem no Facho, vossê deve ter lido.
—Não li.