Ia comendo irresistivelmente as rosas, toda disfarçada e a medo, como uma creança que faz uma maldade.
Á porta da escada, quando Arthur já se ia embora, ella com modos acanhados disse que lhe queria pedir uma coisa, mas tinha vergonha, receava que elle se puzesse a rir.
—Oh não, disse o esculptor todo serio. Que é?
—Guarde este dinheiro, tornou Judith muito baixinho, guarde, foi d’umas rendas que fiz para o armazem. E entregou-lhe dez tostões—Agora oiça cá, é muito serio, sim, muito serio. Alli defronte ha uma capella, mande lá dizer duas missas, no altar de Nossa Senhora do Rosario, minha madrinha; prometta, ande.
—Mas prometto.
—Diga ao padre que é por intenção d’uma pessoa doente, que necessita muito de viver. Diz, sim?
—Digo.
—Eu estarei na janella da sala rezando. Sabe rezar? perguntou ella ingenuamente.
—Meu Deus, ensinaram-me.
—Inda bem, Nossa Senhora ha de ouvil-o. Tudo o que eu fôr ganhando será para ella, coitadinha, que é pobre. E não diga a ninguem, nem á mamã, nem ao Albano.