—Vossê, Ezequiel, nunca tem melhores lembranças. Ora o mofino!
E o velho, conciliador:
—Acaso admira que vossemecê goste de Ruy? O contrario é que espantava. Creados de pequeninos, no mesmo berço quasi... E olhe que têem muita força os beijos a que uma pessoa se acostuma de creança.
Ella empallidecia e córava sem escrupulo, surprehendida no divino tormento que lhe extasiava o espirito em fogos multicôres.
—Olhe cá, Ezequiel. Cada um no seu lugar. O que diriam de mim, santo Deus?
—Coisa nenhuma, coisa nenhuma. Todos vêem como a senhora marqueza trata comsigo. Zús d'aqui, zús d'alli, está-lhe sempre a chamar minha filha. Olhe que é muita amizade, é amizade de mais para uma servente. Eu sei que isto enfurece os invejosos. Não faça caso, menina Luiza, não faça caso.
—Ah, não tenha medo, Ezequiel.
—E o menino Ruy então, não fallemos. Esse gosta, e gosta muito. Até cartas lhe manda. Não se faça encarniçada, menina Luiza.
—O disparate!
—Já cá sabemos tudo; pois então!