O JURAMENTO DA CONDESSA ESTHER
—Tenho consultado tudo, tudo! A homeopathia, o systhema Brugrave, o Raspail, tudo! Mas os alivios poucos, nenhuns mesmo. É esta dôrzinha vaga no peito, esta tosse secca, pouca vontade de comer, ventre preso... Quando se chega á minha edade, é esperar pela morte, bem o sei.
—Qual!
—Ah! eu não a receio, meu bom amigo. Somente me affligiria a saudade dos que amo, e o amor da minha filha...—Baixava a voz para dizer-me—Tem-me perseguido a ideia de consultar um enfermeiro. Ouço que entendem muito de doenças... Morrer, deixar Esther, seria o ultimo castigo.
Em resposta, eu ria. A condessa ia começar a narrativa de uma cura estrondosa, feita n'uma senhora das suas relações, por um dos taes.
—E está hoje gorda e alegre, que não faz ideia.
—Faço, faço.
—Depois, os remedios que me receitam os medicos, repugnam-me. Tenho horror á magnesia, horror ao cheiro da camphora, horror ás pilulas, que bem podem ser manipuladas por sugeitos pouco limpos. Alguns dos medicamentos nem os tomo.
—Eis porque se não cura, condessa. As aguas de Loeches são suaves...
—Horriveis! E tão prosaicas...