—Pois que duvida que é, objectou o outro com recolhimento cynico, puxando fogo ao cachimbo.

Os olhares dos dois encontraram-se luzindo com a mesma expressão de patifaria.

Traduzindo então os pensamentos do padre, Manoel do Cabo ia dizendo a meia voz:

—A fidalga chega á tardinha ao convento, com as criadas. Traz homens?

—Não traz.

—Melhor. Chega e janta. Depois visita a casa, os lagares, um bocado da cerca. E salta na igreja, já sol posto. Escuridão no altar-mór, nas capellas lateraes, lampadas accesas, um socego de morte... Faz a sua oração ao Senhor dos Passos, hein? E um de nós então, repara que...

Padre Nazareth tossiu, para abafar as palavras que ia a vomitar o sacrista. E Manoel do Cabo desatou a rir. Com um geito brusco o padre estendeu-lhe a mão.

—Até ámanhã. Vou-me deitar, que me estou a sentir peor.

Desceu as escadas do balcão, em quanto de pé no portal o sacrista ficava olhando com o seu risinho de marau intelligente.