—Mas falla, pelo amor de Deus! disse ella puxando-lhe o braço e forçando-o a sentar-se. E febrilmente, com voz um pouco tremula:
—Foi uma desgraça, bem sei. Tinha porém de ser e não ha remedio já. É o destino, que queres? Fui bem má comtigo. Uma mulher como eu, era indigna de um homem como tu. Sabia lá fazer-me do teu tamanho!... Atirou-lhe os braços ao pescoço:
—Mas falla, falla!... dizia entre beijos.
Jorge repelliu-a devagar, com esforço. Pensava, nem sabia em que estava a pensar. Estava magnifica, a priminha—era tudo.
—Ha seis mezes não usarias d’essa frieza commigo, murmurou ella, deixando-lhe a cabeça no hombro.
—Eras honesta.
—És cruel, tambem.
—Ouve, exclamou Jorge violentamente, tomando-a pelos pulsos—para que te pintas? Para que?
—Eu?
—Tu. Nos olhos, na bocca, nos hombros. E esta casa, quem paga? E este luxo? Não respondas. Paga quem entra, bem se vê.