—Oh Jorge! gritou ella em soluços. E um pouco dobrada, deixava escancarar com abandono provocante, a fenêtre do roupão de velludo, orlada de rendasinhas sobrepostas.

—É claro, bem claro, dizia elle com uma scintilla de cão cioso na vista.—E mais baixo, n’um tom de reprehensão amiga:

—Foi para isto que deixaste Leiria, a nossa casa, o tio Arsenio e as familias das nossas relações, não? Pensas que poderás viver sempre cantando, tendo celebridade e reclames nos jornaes?

—E porque não? dizia ella ingenuamente.

—Olha que é uma vida de encher olho, não tem duvida. Foi então para enriquecer uma cocotte, que teu pai trabalhou quarenta annos sem descanço, não vendo outra coisa senão a filha, e não se importando com outra coisa que não fosse um teu capricho? Educaram-te nas virtudes burguezas, que na mulher preparam a mãi, simplesmente para que um bello dia fugisses, roubando a casa dos teus?

—Estás doido?

—Seria melhor que o estivesse. E agora? Em que ponto ficam as nossas relações, não me dirás?

Ella quiz attrahil-o a si:

—No ponto em que as interrompemos em Leiria. Porque não?

O primo Jorge riu com uma casquinada brutal.