—Tu estás tola, priminha. Eu namorar-te? Tem graça, palavra.
E com ares de cynico:
—As mulheres do theatro não se namoram.
Albertina estava attonita do que ouvia.
—Então? disse ella sem saber, ao acaso.
—É simples, ia dizendo Jorge. Primeiro cercam-se, como as cidades sem viveres. Depois compram-se. Entendeste?
Ella ergueu-se com os labios brancos e as mãos crispadas. Estendeu-lhe seccamente a mão.
—Adeus.
Voltou-lhe as costas com um ar de rainha e entrou na alcova.
Jorge não se perturbou lá muito com aquella despedida formal, e deixou-se ficar socegadamente ao canto do sophá, fumando o seu charuto. Só quando ouviu os soluços da prima se resolveu a entrar devagarinho na alcova. Havia um cheiro de Ylang-Ylang e pó d’arroz de Lubin; fórmas brancas cahiam na penumbra, de cassas apanhadas e fauteuils muito baixos, de casimira perola. Os pés afogavam-se n’uma pelle de urso, macia e branca, com garras douradas. Primo Jorge respirava alto, caminhando ás escuras, entontecido de perfumes, um baque nas fontes. E muito baixo: