—Vou jurar que é bomba, que ainda d’esta vez não alcançou o invulneravel.

—Nada. «Paris 8, á 1 hora. Chegou a embaixada Birman e partiu o snr. Grevy».

—Todos para casa do diabo.

Estavamos no côro de marmore branco, com baixos-relevos representando martyrios de santos. Das paineluras negras, monges e virgens perdiam-se na penumbra da abobada, deslocada pelo templo com uma vastidão de crepes. As estatuas dos monges e cavalleiros pareciam colossaes, de immoveis nos mausoléos, essa austeridade das figuras de Miguel Angelo, no tumulo dos Medicis.

—É triste isto! disse eu commovido.

A perspectiva do mar, roxo da banda do nascente, tinha irritações animaes até á linha rubra do occaso—dorso de cetaceo ensanguentado pelo arpéo do sol moribundo. A vista, que percorrendo a immensidade liquida sem repousar n’um ponto, voltava com um desalento de ave ferida, trazia a idéa da morte e a saudade de uma existencia menos crua, n’esses dithyrambicos impérios em que as cabeças se corôam de flôres.

De repente, na absorpção em que tinhamos cahido, pareceu-me que um fremito percorrera o balaustre onde me encostava. E cada vez mais distantes, foram-se succedendo estalidos seccos.

—Não ouviste? disse eu ao conde.

Elle não tinha ouvido. O que?

—Parece que isto tremeu.