E lentamente:
—E camarões, para abrir o appetite.—O olhar do aprendiz penetrava n’ella como um estylete. Miravam-se com curiosidade petulante, adivinhando-se. O olhar d’ella afogava-se n’um langor amoroso e humido, de uma sympathia impura. O João chegou-se mais e com voz quasi imperceptivel:
—Hoje, lá para tarde, vou, sim? disse elle.
—Hoje não, disse ella.
—Porque? Que tem?
—A visinhança deita-se altas horas. É gente má, percebe? Podia fallar-se, meu pai sabia... Hoje não. Depois.
—Mas se eu não posso, vê? supplicou o João, com voz piegas de criança.—Então?...—E timido, uma doçura insistente na bocca:
—Vou sim? Não póde recusar. É má!
Carolina deixava-se penetrar d’aquella imploração toda incendida de amor deshonesto. E sem resolução:
—Pois sim, pois sim, disse ella, mas ás duas horas, ouça bem, ás duas horas, quando não houver luz nas janellas, das taes.