O João detinha-se muito pallido e nervoso, presentindo alguma cousa horrivel. E não podia descer.

—Mas ella não mexe!—Tremia de medo.

—Meu senhor!

—O que é?...

—Aqui é o hospital?... Diga, é o hospital?

—Pois o que ha-de ser? Não vês as camas, os doentes?

O João hesitava, agitado.

Não disse nada, desceu devagar com a cabeça pendida n’uma absorpção angustiosa. Poz o banco ao pé do terceiro oculo; subiu.

—É a mãi!—Tinha os ultimos alentos na voz; uma revolta de amores, desconfianças e luto, impulsionára agora de subito n’essa organisação inerme uma desusada actividade, quasi uma audacia. Saltou para o chão, arremessando o banco. Ia abrir a porta. O guarda correu para elle, deu-lhe um encontrão brutal:—Eh rapaz!... Diabo!—Segurava o fecho, olhando.

—Pelo amor de Deus, pelo amor de Deus! implorava o pequeno—É a mãi, é a minha. Deixe-me ir fallar-lhe, deixe meu senhor!